
Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha perdeu a mãe aos três anos, passando o restante da infância e a adolescência sob cuidados de seus tios em diferentes cidades ou fazendas do interior do Rio de Janeiro. Entrou na Escola Militar, onde recebeu formação positivista, de oposição à monarquia.
Mas Euclides passaria pouco tempo na Escola Militar. Pois jogou no chão a arma que deveria apresentar à passagem do ministro da Guerra. Ao mesmo tempo, proferiu palavras contra a passividade dos colegas.
Partiu, então, para São Paulo, onde passou a escreveu no jornal, Proclamada a República, voltou à carreira militar, fazendo o curso de artilharia , em seguida, os de estado-maior e engenharia militar, bacharelando-se em matemática e ciências físicas e naturais. Foi, promovido a primeiro-tenente.
Continuou atuando na imprensa, tratando de diferentes problemas do país. Apoiou Floriano Peixoto, mas recusou qualquer prêmio, só aceitando o que era previsto em lei.
Abandonou a carreira militar, tornando-se engenheiro civil. Seu tempo foi dividido entre , assim, entre a superintendência de obras do Estado e colaborações para o jornal O Estado de S. Paulo.
Depois de escrever, dois artigos sobre a Guerra de Canudos, foi convidado a viajar até a Bahia, como correspondente de O Estado, e de lá relatar os acontecimentos.
Suas cartas e inúmeras pesquisas que realizou posteriormente serviram-lhe para escrever, entre 1898 e 1901, Os Sertões. A obra, aliás, foi escrita paralelamente à chefia dos trabalhos de reconstrução da ponte de aço que ruíra na cidade de São José do Rio Pardo, no interior do Estado de São Paulo.
Graças a Os Sertões, Euclides foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Mais tarde, seria nomeado, pelo barão de Rio Branco, chefe da Comissão de Reconhecimento do Alto Purus. Viajou, então, milhares de quilômetros pela Amazônia. De volta ao Rio de Janeiro, trabalhou no Itamarati, redigindo o relatório da viagem ao Purus e corrigindo ou elaborando mapas da região visitada.
Em maio de 1909, prestou concurso para ser professor de Lógica no Colégio Pedro 2º. Apesar de ter assumido a cadeira, só pode dar poucas aulas, pois, a 15 de agosto de 1909, foi assassinado pelo amante de sua esposa.
A obra-prima de Euclides da Cunha, Os Sertões, de 1907, é livro pioneiro do modernismo brasileiro. Trata-se, segundo Antônio Houaiss, de "um livro inigualável pelo seu tema, de rara beleza e singular objetividade. É um painel do Brasil - gentes, terras, viver cotidiano na guerra e na paz".
Euclides deixou mais três livros: Contrastes e confrontos, de 1907, formado por estudos publicados, em sua maior parte, na imprensa, analisando diferentes temas; Peru versus Bolívia, também de 1907, apresenta a defesa brasileira num pleito internacional; e, finalmente, À margem da história, obra póstuma, de 1909, o segundo livro de Euclides em importância, e trata, em grande parte, de problemas da Amazônia.
Há também a conferência "Castro Alves e seu tempo". Segundo Houaiss, "é trabalho pioneiro, cauteloso início de uma revisão. Um poeta fala sobre outro, superpondo a tudo o belo e lúcido panorama do período em que Castro Alves viveu, reabilitando a figura de Diogo Feijó e dando aos jovens uma lição de confiança no Brasil".
Bom escritor de cartas, Euclides também deixou centenas delas, reunidas por Walnice Nogueira Galvão e Oswaldo Galotti no volume Correspondência de Euclides da Cunha, da Editora da Universidade de São Paulo.
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